Momento de Reflexão

Após uma looooooooonga ausência deste blog, regresso novamente aqui, desta vez não para
trazer poesia, mas para falar também de poesia... de poesia, e de um tema sobre o qual vale
sempre a pena falar e reflectir, e sobre o qual certamente todos nós já teremos reflectido: o Divino, seja qual for a ideia ou forma que tenhamos do mesmo, para alguns como um ser, semelhante a nós, para outros uma multitude de seres, ou simplesmente uma força que está por trás de tudo.
E então porque trago este assunto aqui agora? Bem, há dias estava eu num momento de reflexão (entenda-se as minhas peculiares conversas comigo próprio) e cheguei a umas interessantes conclusões que achei que valeria a pena partilhar aqui. Até porque a reflexão tem ainda muito mais valor se for partilhada com os outros.
Bem, para quem ainda não sabe, a minha crença espiritual não é proveniente de nenhuma das várias religiões que nos rodeiam, mas sim algo mais pessoal proveniente apenas de algo que "simplesmente estava cá dentro" e foi acordando, e a minha crença é a de ver o Divino na Natureza. Acredito na Natureza como aquilo a que chamam "Divino" e na perfeição da Natureza como aquilo a que muitos se referem como "perfeição divina". Os motivos para essa minha crença: primeiro, porque foi algo que sempre esteve dentro de mim. O amor pela Natureza, e o sentir algo de divino Nela, foi algo que sempre esteve dentro de mim. Segundo, por certas coisas que simplesmente fazem sentido pra mim, e por uma infinidade de experiências pessoais que estaria aqui o dia todo se quisesse falar delas agora. Então rumo ao meu momento de reflexão propriamente dito, e às conclusões que retirei do mesmo:
Várias vezes quando exponho essas mesmas crenças a outras pessoas, deparo-me com a resposta de "sim, acredito que há algo de divino na Natureza, mas acredito que existe uma outra força ainda mais divina por trás mesmo assim". E é sobre essa mesma resposta que a minha reflexão começa.
Neste caso lembrei-me, mais precisamente, de um poema. Um poema, quando escrito realmente com alma e sentimento, como para mim toda a verdadeira poesia deveria ser, não só é a criação do poeta, como um reflexo da alma do mesmo. E nesse caso, pensem, não é precisamente isso que maravilha aqueles que o lêem? Quando nos maravilhamos a ler uma grande obra do poeta, uma que realmente nos toque, não nos estamos a maravilhar com o conteúdo da alma do mesmo, de onde todas essas palavras vieram? Ao estar a admirar essas palavras não estamos na verdade a admirar o facto de existir uma alma que tenha proferido palavras dessas, onde elas vivem? Quando nos entusiasmamos com palavras belas que nos tocam, não nos estamos realmente a entusiasmar com o facto de haver uma alma que as tenha proferido, onde elas existam e são verdadeiras? O conteúdo do poema, essas palavras que nos tocam, não é o conteúdo da alma do poeta? E não é o conteúdo dessa alma que estamos na verdade a "ler" ao ler as palavras do poeta?
Então eu digo, mesmo que realmente as pessoas que o dizem têm razão, mesmo que realmente haja uma força ainda mais divina, um "criador", por trás da Natureza, não é então a Natureza a sua obra mais inspirada? Não é também a Natureza um reflexo da alma desse mesmo criador, assim como o poema é um reflexo da alma do poeta? Não nos estamos realmente a maravilhar com a alma desse "ente superior" quando nos maravilhamos com a Natureza? Então pergunto-vos: haverá maneira mais verdadeira de "ler" a alma desse ente superior, do que olhando (com os olhos e com o coração, como quem lê um poema) para a Natureza? Mesmo admitindo a existência desse tal ente superior por trás, qual a melhor maneira de o compreender e de conhecer a sua alma, do que olhando para o reflexo da mesma, para a Natureza.
Gostava então que reflectissem comigo um bocado, e que se lembrem, quando estiverem a olhar para a Natureza, que mesmo existindo uma entidade ainda superior por trás, estamos a olhar para a sua obra mais inspirada, para o conteúdo da sua alma, assim como quem olha para as palavras de um poema está a olhar para o conteúdo da alma do poeta. E quando se estiverem a maravilhar perante a Natureza, com ou sem entidade superior, estão sem dúvida a maravilhar-se com a alma daquilo a que chamamos "Divino", da maneira mais verdadeira possível.
Não quero com isto estar a "impingir" as minhas crenças em ninguém, ou convencer alguém de alguma coisa, apenas quero apelar à reflexão e introspecção de cada um, e lembrar que não interessa a forma ou origem do "Divino", mas apenas aquilo que sentimos em nós que é divino. Assim como não importa o nome ou aspecto do poeta, mas apenas que o facto de que existe uma alma onde aquelas palavras vivem é verdadeiro.


1 Comentários:
Ainda hoje ainda nao consegui descobrir as minhas proprias crenças nem a minha propria religiao, mas acredito que por detrás de tudo o que vemos todos os dias ha algo mais. Para mim nada é apenas um simples objecto e a nossa vida nao é uma simples passagem. Ha sempre algo mais para alem do que vimos, algo que ninguem pode saber o que é, porque é, ou como é.
Como seres (supostamente) racionais temos o habito de querer saber o porque das coisas, mas o porque da vida e de toda a existência que observamos no dia-a-dia é algo para o qual nao conseguimos obter respostas concretas, daí a cada pessoa ter as suas crenças e religioes - acredita-se que a vida é dessa maneira.
Eu acredito que tudo acontece por uma razao, e que cada um tem o direito de fazer a sua interpretaçao de um acontecimento conforme a sua experiencia de vida e nao conforme aquilo que a sua religiao ou cultura o obrigou a acreditar. Acho que é ai que esta a verdadeira essencia e racionalidade do ser humano, em ver as coisas pelos seus proprios olhos, e acreditar naquilo que lhe parece correcto para si, e nao naquilo que os outros querem que pareça correcto. A mim parece-me correcto que que há algo mais para alem de toda a existencia do planeta, mas provavelmente so teremos a certeza no final da nossa existencia. Até la resta-nos viver. Viver e acreditar no caminho que queremos seguir, e na felicidade que queremos obter atraves dos nossos objectivos. Se esse ser divino em que acredito realmente existir hei de descobrir mais tarde ou mais cedo, mas até la acho que ninguem deve deixar de seguir os seus proprio caminhos nem a sua propria vida em função das "opinioes" do "divino", pois se Ele está por detras do sentido da nossa vida deve querer que sejamos nos a vive-la, e nao a vive-la por ele.
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